sábado, setembro 09, 2006

Dia 4 - Praias e Pedras





Finalmente, nosso merecido descanso. Depois de 3 dias de viagem (2 de pedal) debaixo de chuva e ralando no relevo pouco amistoso da costa oeste da península de Izu, acordar numa praia com um sol bonito e um vento refrescante foi uma boa demonstração de "Recompensa Divina".Gastamos nossa manhã/início de tarde aproveitando uma das mais belas praias da província, arrozando umas minas de (pasmem) Tóquio, consequentemente tomando toco em seguida, e curtindo a praia. Só pra não dizer que foi um dia nulo, pedalamos uns 20-30km até Shimoda. Vimos uma galera da comunidade treinando pra um festival que iria rolar em breve, e quando fomos à Koban perguntar onde rolava de armar a barraca, nos surpreendemos com o estabelecimento vazio e (pasmem take II) uma placa dizendo "em caso de precisar de ajuda, use este telefone e diga que está na Koban Central". Fomos desta vez à Delegacia Central (a qual pertencia o número telefônico da placa) e nos apontaram um parque, beira-mar também. Montamos a barraca, e fomos dormir. Porém, o desenrolar desta noite eu tenho que contar com mais detalhes:

01:20AM - estou em um hotel, deitado pelado numa cama, sozinho. A comida é muito boa, a cama, uma das mais macias que já havia deitado. Não acreditava que estava tendo tão sonhado e merecido descanso depois de dar o sangue na bike. Em meio a restrospectiva do que havia rolado nos outros dias, sinto algo tremendo. Não, vibrando. E no bolso da minha perna direita. Que bolso??? Que hotel? Meu celular, dentro da barraca, estava tocando. Não acreditava nisso, quem foi o espírito de porco que me ligou de madrugada? Ao abrir o celular para conferir quem havia me ligado, depois do olho se acostumar com a ofuscada, vi que não havia apenas uma ligação, mas 3. Do Diogo, que estava na barraca ao lado. Liguei:
-E ae, de qual foi?
-Paulo, tão jogando pedra na gente!
-Leke, delira não...
-É sério, tem uns moleques lá fora, dei uma iluminada com a lanterna agora e eles vazaram.
-Sério?
-Sério, sai aê!
-Tu não tá pedindo isso, né?
- (...)
Saí. De fato, não havia mais ninguém, o que me fez questionar o limite de realidade e sonho na cabeça do Diogo. Conferido a "segurança", fui dormir de novo.
02:33AM - ...e acabava de chegar na Caixa Economica Federal pra pegar uma maleta com as inscrições "Parabéns! Prêmio récorde da Mega-Sena" já com planos de, por ter, desta vez (devido à improbabilidade elevada do fato), plena consiência de ser um sonho, comprar carros e casas e fazer viagens quando o alarme anti-roubo da agência VIBRA.Acordei. Atendi:
-Fala Diogo, quanto tempo!
-Paulo, sai da barraca agora, nego tá tacando pedra de novo...
Munido de uma ira colossal de estar sendo atacado em plena noite de descanço numa cidade relativamente do interior por um grupo de desocupados, de minha lanterna e de meu canivete novo da Victory Inox (nunca se sabe...), calcei a sandália e saí. Vi um grupo de uns 5 pré-adolecentes à uma distância de, pelo menos, 20m, saírem correndo com uma velocidade fenomenal. Creio que eles não sabiam que ainda estava nocauteado e ter sido acordado, mas com a ira que eu tava, se eu pegasse o coitado que voltou pra pegar a bicicleta que havia esquecido, ele iria ser o Judas do grupo.Gastamos mais 1h patrulhando a área onde eles correram, e outras áreas próxmas, quando finalmente decidimos dormir com o sol dando caras de que iria nascer.,

Galera, paro por aqui que já ficou grande. Amanhã os últimos dois dias, e daí Fuji Rock Festival.
No mais, tô bem. Hoje fui andar de skate depois de 2 meses de molho e senti o peso da falta de prática. Mas isso não importa, o que importa é que bateu um sono monstro e tô vazando.

Falou galerosa! Até amanhã, se pah...

quinta-feira, setembro 07, 2006

Dias 2 e 3



Sair do camping de manhã foi massa, pegamos um corta-caminho no mato ferrenho, tem até uns vídeos disso, se pá eu publico depois, mas não garanto nada. Achando que tinha acabado o sofrimento só por ter subido um monte pra ir ao campo, acabamos descobrindo porquê que a parte oeste da península é a mais demorada. Mas garanto a vocês, o sofrimento se pagou, vimos muitas paisagens ducaraio, mesmo estando com um tempo que oscilava entre nublado e chovendo (o que não foi de todos ruim, o sol não nos torrou nas subidas). Neste segundo dia dormimos numa pousada, contamos uma história triste pra tia lá e ela fez baratão pra nós, arrumou um canto pra pendurarmos nossas barracas que estavam molhadas da noite anterior ainda e ainda deu mó suporte. Vamos mandar um postal pra ela ainda, ou o cartão de "feliz ano novo", uma das culturas do Japão.



O terceiro dia foi classificado como um rush para acabar logo o martírio. Em um restaurante no pico duma montanha (incrivelmente ficava em uma ladeira de, sem brincadeira, pelo menos 45º) descobrimos uma praia na parte sudoeste de Izu (o nome da península), Yumigahama. Chegamos literalmente no apagar das luzes lá, mas antes demos uma parada no ponto mais ao sul da península, onde rolou uma SS que deixamos as bagagens escondidas num mato e corremos de bike morro acima, aproveitando pra desestressar as pernas. Sem fotos do lugar, é um "must go" pra quem quiser ir, e fica reservada a surpresa da paisagem. Na cidade, mais uma vez estávamos na eterna procura de um lugar pra dormir. Achamos um Family Mart (a única conbini que existia na parte central da cidade) que deixamos de base. Lá por acaso conhecemos uns japas que tavam de quebrada lá também, só que de carro. Resolvemos ir até os policiais perguntar onde rolava de montar barraca. Surpreendentemente chegamos na Koban (eles traduzem isso como "Police Box", é uma mini-delegacia onde geralmente ficam uns 2-5 cops) e estava rolando um fight lá. Os protagonistas eram um dos cops na mão e um dos japas que havíamos conhecido na conbini com um bastão. Minutos depois descobrimos que era uma exibição das tecnicas de defesa pessoal do policial. Os caras nos recomendaram dormir na praia ao lado, onde não tinha muito movimento, uma vez que era proibido armar barraca nas praias em si. Sem questionar, fomos a praia do lado e montamos a barraca.

Po galera, vou atrasar mais o roteiro senão vai ficar muito sem fotos e muito grande cada post, apesar de eu estar resumindo ao máximo, mas tem coisas que eu queria contar e dá nisso...
Creio que amanhã vão mais 2-3 dias e depois acaba, e encaixa o roteiro que eu propus dois posts atrás. Tudo isso pensando em você, leitor fiel, pra não ficar muito pesado. Mal a defasagem, mas em breve vai atualizar.

E pra galera que pretende ser legal, não se esqueçam do meu niver dia 17 deste mês, se mandar algo via correio agora dá pra chegar em tempo (não, não mandem de barco senão vou receber o presente só ano que vem, sem sacanagem). Aceito qualquer coisa, desde carta, cartão postal, biscoito Bono, Maria, leite condensado, uma passagem pro Brasil, enfim, o que quiserem mandar, aceito feliz!

Abraço galera, e até amanhã!

Info

Roteiro atrasado em pelo menos um dia, impraticável escrever hoje, amanhã é mais possível. Mal aê galerosa, mas não esqueci de vocês!

Grande abraço

Kemper "Blade"

quarta-feira, setembro 06, 2006

Sem mais balelas!

Ok fãs, simpatizantes da causa e pessoas ao acaso que vem ao meu blog. Agora que estou em aulas de novo, creio que arrumo a rotina das férias.

O esquema vai ser o seguinte:
Hoje - Dia 0 e Dia 1 da Viagem de bike por Shizuoka
Amanhã (se possível) - O resto da viagem (resumoso)
Quinta - Curso de Verão
Sexta - Fuji Rock (já tá quase todo escrito)
Sábado - Viagem a Hyogo/Osaka/Kyoto*
Domingo - Trabalho Escravo
Segunda - Viagem do Fuji (o monte mais famoso do Japão)

e por aí vai, tem mais coisa depois mas fica de surpresa. Prometo (sério, do fundo do coração essa) que se eu não voltar massacrado do trampo nesses dias eu escrevo, vou tentar MESMO ser fiel. Espalhe para todos seus amiguinhos, PKF está de volta, não mais como "Amarelinha ", mas sim como "Blade" agora(explico essa depois, vou mudar o título do meu blog e a intro também com a explicação)!

Dia 0

Comecou como um dia normal: o Diogo foi pro colegio, e eu pro trampo. A diferenca foi que eu estava levando um monte de bagagem pra deixar num locker(armario publico) visando facilitar a ida mais a noite. Fim do trampo, volto correndo em vista que, como todo ultimo dia antes de alguma viagem, faltavam trocentas coisas pra fazer ainda. Ultima parada na farmacia pra comprar repelente, protetor solar e fazer um kit de primeiros socorros, soca tudo na mala do Diogo, pega as malas-bikes e comeca a romaria. Serio, tava tenso carregar as bikes, primeira viagem que eu tive que andar centenas de metros com a bike semi-desmontada pendurada no ombro, e ela nao tava bem ajustada. Chegamos em Shinjuku (depois de algumas caminhadas e varios lances de escada), pra variar, quase sem tempo de sobra pra pegar o busao, e isso sem saber onde pegava o busao, e eu ainda tinha q pegar as paradas no locker. De boa, rolou uma sorte monstra de irmos de cara no lugar certo e de eu conseguir voltar com
os bagulhos bem na hora de colocar as bagagens no onibus. Sentamos e aproveitamos a pequena folga.
2h depois chegamos em Gotemba. Isso jah era meio tarde, mas tinhamos que montar as bikes antes de achar um lugar pra dormir. Nao obstante a falta de tempo e um principio de chuva, ainda tivemos um problema montando as bikes: meu freio dianteiro tava pegando e o dianteiro do Diogo tava foda. A solucao tosca foi desabilitar o freio dele pra poder andar e no dia seguinte ver o que rolava de fazer. Ah, neste momento rolou a lembranca q nosso mapa tava bonitinho ainda dentro do saquinho em cima da mesa da sala. Rodamos duas combinis perguntando lugar pra dormir e procurando caixa eletronico, jah que estavamos sem um puto. A recomendacao que nos deram era de dormir num parque. Tah, temos barraca pra isso, vamo procurar um lugar entao, jah que no nosso novo mapa o camping mais proximo era longe, tava escuro e choviscando. Paramos num parque doidao, a meta era acordar cedo e desmontar campo antes do grosso da galera vir passear com os filhos ou com os cachorros ou soh passear mesmo.
Montamos as barracas, bikes pra dentro e apagar. A chuva era, por extrema manobra de bondade do destino, quase inexistente.


Dia 1.1 - "Tudo que desce tem que subir"

Nao vou dizer que dormi bem, jah que qualquer barulho do lado de fora eu acordava, mas tambem nao vou dizer que dormi mal, jah que o interior da barraca ainda estava seco. Levantei, tirei a bike, re-montei ela e comecei a desmontar a barraca enquanto o meu brother ainda brigava contra o resultado de seu senso de organizacao apuradissimo. Conseguimos fechar o equipamento (ainda com alguns problemas no freio do Diogo) no momento que a galera da 3a idade comecava a vir fazer sua caminhada matinal. Pra onde ir? Tem q rolar o cafeh ainda, os suprimentos pra viagem, arrumar o freio e avancar ainda. A ideia foi ir pra estacao, de novo, o mesmo ponto que saimos ontem, pra ficar mais facil de se orientar. Depois de uma meia hora, desistimos do freio (tava funfando mas algo ainda pegava na roda), rangamos num McDonalds (menu do cafeh da manha) recarregamos numa combini e fomos pra estrada.

Dia 1.2 - (começo da parte resumida)

Descemos alguns bons kilometros até Numatsu, e seguimos rumando à Península de Izu, nosso objetivo primário. Paramos no "pescoço" da península pra rangar um macarrão com ostras que, incrivelmente, tava bom. Agora no nível do mar, pegamos bastante terreno plano até quase o final da borda noroeste da península, onde nos tocamos que havíamos passado da entrada pro camping. Sério, achávamos que o camping era perto, mas subimos uns 1000 metros verticais numa pista tortuosa e extremamente úmida dentro da floresta do morro, que somou uns 5km até acharmos uma pessoa que nos informou que, mais uma vez, havíamos errado a entrada. Tivemos que voltar uns 2 km pra entrar numa estrada de terra pedreira de mais 2km. Subindo. No caminho passou um carro que foi mó brother, informou o caminho e se ofereceu pra levar a bagagem, mas acabamos negando. Chegamos no camping, o dono do lugar incrédulo que havíamos ido até lá desde Gotemba, com bagagens, uma vez que o lugar era um AUTO Camping (pra nego de carro) e pelo terreno acidentado não era muito popular entre os ciclistas. O tio fez um desconto brother, re-encontramos nego do carro, que fez uma macarronada massa pra nós enquanto fui na cidade com o filho do dono, desta vez de "carro" (uma towner de 2 lugares, a parte onde era pra ser os passageiros é uma carreta. e era 4x4). Descobri que o bixo era meio psico e fui pilhando ele até me mostrar as habilidades de rally com a pobrezinha. Macarronada, banho e dormir. Choveu de noite.