quarta-feira, agosto 29, 2007

Rockin' in the Old World (dias 0 e 1)

Mudar de pais sempre eh uma onda: primeiro porque,pelo menos pra mim, mesmo estando num ambiente extremamente diferente demora um tempo pra cair a ficha. segundo porque tudo é diferente. terceiro: mesmo com um extremo conhecimento de como o comércio funciona, sem saber a língua, comprar qualquer coisa, por mais simples q seja, é um desafio. Mas antes da minha experiência em Paris, comecemos pelo começo, ou seja, desde a ultima vez que eu acordei antes de sair do Japão.

Dia 0-Sexta-feira

Acordei efetivamente umas 9h(Japão-GMT+9)."Só" faltava arrumar a mala e ir ao centro comprar uma Câmera Digital pra minha tia (pedido de última hora). Deixei as coisas mais ou menos separadas e zarpei. Cumprida a missão (com um pequeno delay graças a um suicida...), voltei pra mala. Serio, quanto mais viagens eu faço, mais displicente eu fico no quesito "antecedência". Parece que eu quero me aproximar de "conseguir arrumar a mala pra fugir da yakuza" ou qualquer coisa de urgência. Anyway, em menos de duas horas tava tudo pronto, inclusive a carteira para viagem, a pochete e a roupa pra viajar. Certamente algum detalhista pode dizer "Mas PKF, arrumar a mala no dia anterior eh normal...". Sim, mas considerando que as 9:30 da noite de sexta eu sairia pra nao voltar mais, começar as 4:00PM eh no mínimo "em cima da hora". E ainda tive tempo de ir no 100en!
"Mas PKF, por que sair as nove?", eu respondo "Por que vai rolar karaoke com geral do go-maru-go(505)". Era a última chance de juntar eu, o Diogo, o Colômbia 1(Leonardo) e o Colômbia 2(Andres - irmão do Leonardo -foto-). Foi massa, antes das duas jah tava rouco, mas deu pra levar ainda. Saindo do karaoke(sábado 5:00 Japão), uma ida ao Osmar pra "comer" e depois se despedir da galera latina. Entrei no trem pro Aeroporto de Narita e finalmente consegui dormir 20min.


Dia 1 - Sabado (o dia de 31h)

Acordei no Aeroporto de Narita. Estava cedo ainda, mas em se tratando de voo internacional, 3h antes nao eh bizarro. Fiz todos os procedimentos, comi (pra variar, mais uma vez McDo), entrei na zona de embarque e finalmente no avião. Classe Econômica 30A, dei a sorte de pegar a janela. Estou eu alegre e sorridente lendo o "manual das situacoes caoticas a bordo" quando chega alguem e fala (em inglês):
-Com licença, eu sou na 30A.
Serio, já paguei uns micos style por errar lugar que antes de sentar eu checo pelo menos 3 vezes o bilhete e , especialmente desta vez, eu chequei N vezes graças ao tempo de sobra.
Pk- Me desculpe mas você poderia repetir o que disse?
Tia-Meu ticket eh no 30A...
Se a tia repetiu a mesma coisa, existia uma chance de eu estar errado...
Pk-Perae... (revira pochete)...(vira pro cara da 30C e pergunta em jap)... Cara, tah escrito 30A aqui, nao?
Brother Jap- Eh neh. Acho q ela tah viajando...
Pk (em ing pra tia)- Tipo, ou tu confundiu ou estamos com o mesmo lugar...
Tia- Hmmm... (olha o bilhete e dah um tapa na testa)... Me desculpe, eu nhajtjmtkamdj (e saiu resmungando algo incompreensivel)

Tah, comecou bem jah. Pelo menos serviu de gancho pra conversar com o brother(foto), que por sinal foi extremamente util pra passar o tempo. No meio da conversa, descobri q o cara tinha morado 7anos na Franca e aproveitei pra pedir dicas e tal. Durante o voo, dormi cerca de duas horas apenas (somando 2h20min em 2 dias aprox).
Chegando ao famoso Charles de Gaulle, peguei a mochilosa e fui na aba do bixo pra chegar ateh o centro, de metro. Ateh aih tava de boa, tinha um "guia" e tava falando uma lingua conhecida. Desci do trem em Gare du Nord (Estacao do Norte) e tinha que andar ateh Gare de L`Est (Estacao do Leste). Sono, cansaco, nenhum conhecimento de Paris, pouco de Frances e correndo contra o relogio (tinha que chegar em Stuttgart antes da meia noite), saih da estacao. Resolvi perguntar a alguem como ir. Quem? Por vicio de Japao, "pros cops" foi minha primeira ideia. Ainda estava no subsolo quando vi um grupo de 4 cops parados. Serio, os bixos eram naipe BOPE, e como no jap os cops sao meio bundoes, rolou o medo de perguntar. Mas como necessidade eh foda:
-Excuse moi, je voudrais aller a Gare d`Est, sil vous plait...
-agjgmtgtag?
-?... Ah, a peh! (demorou uns 5s pra entender que o cara tinha perguntado se eu queria ir a peh ou de metro)
-Do you rather in english?
-Hai! I mean, yes please.

Bom, peguei o caminho e cheguei razoavelmente rapido lah. Tinha pouco tempo mas ainda dava pra ir pra Stuttgart. O problema era ativar o ticket. Vamos perguntar:
-Je voudrais aller a Stuttgart, sil vous plait...
-gtagmtpatg tatpagt?
-(porra)ha?
-...do you speak english?
-yes
-credit card or money?-uhhh, Eurail™?
-ha?
-(procura na pochete) this!
-ah..., go to the information counter to activate first...
(caminha)
-Excuse moi, parlez vous anglais?(jah indo na tora)
-Yes.
-Thank you. I need to do the activation...(mostrando o ticket)
- ah, first get a ticket, then get here...
-(porra) Really? Merci Beaucoup!
-Je vous en prie.

(caminha de volta, porra, fila cabulosa pra comprar ticket)

-Parlez vous anglais?
-Yes
-Ok, Stuttgart, A.S.A.P.
-Just night trains now, ok?
-(não, não tá ok, mas tenho que chegar...) Perfect.
-ok, you leave at 21:44. Good trip!
-Merci beaucoup!

Merda, nao ia dar pra chegar hoje lah, logo tinha que cancelar minha reserva. Telefone? Nah, tentar internet primeiro.
Depois de uma volta finalmente achei um cybercafe (que tambem era uma loja de cel). A loja era dum cara de Bangladesh, e o irmão dele que atendia. Felizmente falava-se um pouco de inglês naquele ambiente. Pedi um pc, que pra minha sorte dava uma pala do cursor sair da janela a cada 15s, me forçando a clicar de novo pra continuar a digitar, e que o teclado era todo bizarro. Fiz os contatos básicos, enquanto esperava o mail do hotel de Stuttgart pra saber se tava tudo bem. Me bateu uma dúvida, quanto será um cel pré-pago europeu? Perguntei:
-Hey, how much is the cheapest cellfone?
-Sixty-five with chip card and 10min credit.
-Hmm... Expensive. Thanks
-BUT we have one that is fifteen with the chip card.
-(opa!) Really, can you show me?
-Yes, its here...
Celular ocidental normal, um siemens genérico
-Ok, I'll take it. And one 10euro card please.
-Ok, sixteen euros.
-(15+10+16?? XXX 15+10=25!) Eh... Do you mean 25 euros?
-No, sixteen. Fifteen plus ten, sixteen.
Sério, cheguei a cogitar que meu universo estava distorcido na França, a matemática mudou completamente...
-Ok, with me: (papel e caneta) 15 + ....
-Nonono...
-?
-50 + 10 + 60.
AAAAAAAh, o cara era uma topeira em inglês. Para a galera que não sacou, 50 em inglês é fiftY, com Y, e 15 é fiftEEN. Apesar do erro não ser meu, pedi desculpas ao cara e disse que não ia mais comprar. Voltei a pc da pala, o cara do lado puxa conversa. Era um nigeriano faixa preta de TaeKwonDo, vinha pra competir direto. Saímos da loja com um cliente ameaçando chamar a polícia sabe Deus porque, e fui com o cara até estação do metro, onde o bixo ficou de me mostrar uma lanchonete boa. O brother foi pro metro e eu pra lanchonete, e aí entra a parte de ter que se virar no comércio:


Estágio 1: Fotos.
-Tá, nunca é igual à foto, mas é o mínimo de referência que tu tem. Cheque o nome debaixo da foto.
Estágio 2: Preço.
-Não, você provavelmente não vai entender quando te falarem o preço, então decore-o. Use o nome do estágio 1 para isso.
Estágio 3: Bebida e fritas.
-Em uma grande maioria dos restaurantes, "Pepsi" ou "Coca-cola" é uma palavra chave, descubra qual dos dois. E vê se procura uma foto de batata-frita pra aprender como se fala, quando perguntarem.
Estágio final: Pedir
-Olha pro céu, faz o sinal da cruz, beija a mão e entra em campo!

Lógico que isso ajuda, mas não é tudo. Na lanchonete que eu fui tinha a opção cebola/batata frita (pedi um set achando que sets vinham com batata), que molho tu quer na caixa da batata (maionese/mostarda/ketchup, pedi nenhum), refrigerante em francês é uma palavra bizarra que não sabia, não entendi e não lembro agora (a tia enumerou "Cola, Fanta.." e deu pra sacar) e ainda tinha uma outra opção que não entendi e a tia deixou queto.
Subi. Fui prum canto vazio, pra evitar eventuais contatos. Tinha uma porta na minha frente com tranca eletrônica. Staff, pensei. De repente um tio de muletas botou o código e entrou. "Massa, nego emprega desabilitados aqui", pensei. E depois uma senhora muçulmana com filho. "Ã... acho que essa tia não é empregada, mas foda-se", pensei. Daí vieram dois caras com cara de gangsters, tentaram abrir a porta normalmente, não deu. Viraram pra mim:
- Diz o número!
primeira reação em choque no exterior:
- Não falo francês!
Eles já iam falar alguma coisa, ou me bater, ou sei lá, quando as minas gatas do lado me salvaram:
-961318. (juro que gostaria de escrever em francês isso, é muito style, mas só sei a fonética)
E assim seguiu com umas outras 6 pessoas que não sabiam o código. Mas... de onde saiu o código? Olhando a nota fiscal:
"Código do Toalete: 961318"
Aaaah, banheiroso! Sei que depois que as minas vazaram eu fiquei dizendo pra galera, até que enchi o saco e dei um rolé pela área da estação e depois fiquei esperando na estação o meu trem.
O trem pra Stuttgart foi tranquilo: na minha cabide, 2 neo-zelandeses, 2 americanos de Houston que mascavam tabaco e um senhor de Freiburg, gente boa, que me ensinou "Você fala inglês?" em alemão. Conversas esgotadas, dormi.

Foto: Loja Kemps, Paris

Um comentário:

Alessandra disse...

ahahahahaha adoro seu jeito de escrever!!! vc devia mais tarde editar tudo em um livro ;-)
leke, na primeira foto aparece o Diogo de quebrada =P
e minha prova de jap foi adiada \o/ é só alegria ehehehe
beijãoooooo